quinta-feira, 30 de abril de 2015

Ilhas Canárias

A sua história primitiva está envolvida em mitos e lendas, associando-se muitas vezes à desaparecida Atlântida ou às narrativas das Ilhas Afortunadas, o paraíso mitológico dos antigos Gregos e Celtas. As Canárias são conhecidas desde a Antiguidade e terão sido visitadas por fenícios, gregos e cartagineses. Nelas ter-se-ão encontrado grande número de cães, dando origem ao nome "Canárias" (Ilhas dos Cães).


A primeira presença de vida humana data do séc. 500 a.C., quando os Guanches, o povo aborígene da ilha, talvez originário do norte da África, chegou à sua costa. Durante muito tempo as ilhas foram devotadas ao esquecimento pelos europeus, mas no séc. XIII foram redescobertas. Redescoberta esta reivindicada por Portugal em período anterior a agosto de 1336. A sua posse, no entanto, foi atribuída ao reino de Castela pelo Papa Clemente VI em 1345. Devido à localização geográfica, à falta de interesse comercial e à resistência dos Guanches ao invasor, a conquista só foi concluída em 1496 quando os últimos Guanches em Tenerife se renderam.
E quando Cristóvão Colombo parou nas ilhas no seu caminho para a América, as ilhas entraram definitivamente no mapa como um ponto estratégico.

As ilhas Canárias fazem parte da área biogeográfica conhecida como Macaronésia que incorporam os Açores, a Madeira e Cabo Verde, partilhando muita flora e fauna apesar da sua distância entre si.


TENERIFE

Viagem de uma semana realizada há alguns anos.

Tenerife é a maior das ilhas do arquipélago das Canárias e está situada no oceano Atlântico, a pouco mais de 300 km do continente africano. O relevo da ilha é dominado pelo vulcão Teide, a mais alta montanha de Espanha, com os seus 3.718 m de altitude. Tenerife ocupa uma posição central em relação a Gran Canaria, La Gomera e La Palma. A capital é Santa Cruz de Tenerife. As praias são de areia preta e a de Santa Teresinha é branca porque foi colocada lá.

Teide 

A ilha era, em tempos, habitada pelos guanches, um povo de tez e olhos claros, cabelos por vezes loiros e elevada estatura, que suscita ainda dúvidas aos investigadores, incluindo o modo como foram lá parar. Uma série de estátuas na Candelaria representa este povo desaparecido.

Icod de los Vinos (draco); Candelaria


GRAN CANÁRIA

Viagem de uma semana realizada na Páscoa de 2015 em voo direto da Binter Canarias, de cerca de duas horas, de Lisboa a Gran Canaria. O Aeroporto Internacional fica a 20 km de Las Palmas e tem ligação em autocarro para o centro da cidade (20 min).
Gran Canária é a terceira maior ilha do arquipélago em extensão e altitude e a segunda mais povoada das Ilhas Canárias. É uma ilha de origem vulcânica e forma quase circular, com 500km de costas e que atinge a sua máxima altitude (1.949 m) no Pico de Las Nieves.
A ilha tem clima ameno, com temperatura agradável e constante, e oferece paisagens montanhosas com bosques frondosos, fauna e flora riquíssimas, belas praias povoadas por dunas, grandes escarpas e também monumentos com enorme interesse cultural.
A capital é a cidade de Las Palmas de Gran Canaria situada a nordeste da ilha. Las Palmas, fundada em 1478, possui uma rica herança histórica e cultural concentrada sobretudo no bairro de Vegueta, o mais antigo da cidade, que foi classificado como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, em 1990. Vegueta é um centro antigo e pitoresco, cheio de atrações arquitetónicas.
Foi precisamente por este bairro que comecei, saindo do autocarro na paragem “Teatro”, e aqui fiquei alojada três noites num hostel.
Os portugueses assumiram aqui um lugar de relevo, situando-se entre os principais obreiros da valorização económica das ilhas, como agricultores, pescadores, pedreiros, sapateiros, mareantes e artesãos. Integraram-se, desde o início, de forma pacífica e deixaram marcas indeléveis da portugalidade na sociedade das Canárias.
Casa-Museu de Colombo 

Esta antiga mansão costumava ser a casa do governador da ilha e afirma-se ter sido a residência temporária de Cristóvão Colombo, antes de partir para as Américas. Agora abriga um museu sobre o explorador, a conquista das ilhas Canárias pela Coroa de Castela e a América pré-colombiana. No primeiro fim de semana do mês é gratuito.

Museu Canário 

Fundado em 1879, é um parceiro internacional do Conselho de Pesquisa Científica (CSIC). Possui uma valiosa coleção de objetos arqueológicos canários, exibidos em 16 salas. Também está equipado com uma biblioteca com mais de 60.000 volumes, muitos relacionados com as Ilhas Canárias. O seu arquivo cobre o período de 1785 até hoje.

Com vários séculos de história, a catedral pode ser vista de muitos pontos da cidade. Vale a pena subir à sua torre.
Catedral de Santa Ana
As estátuas de seis cães, na praça em frente à Catedral, têm origem misteriosa e estão no local desde o século XIX. São de ferro e tornaram-se um símbolo associado ao nome do arquipélago (Ilhas dos Cães).

Triana transformou-se na principal zona comercial da cidade. Aqui também há atrações arquitetónicas e edifícios coloniais encantadores. A estação de autocarros San Telmo fica perto e foi a partir daí que visitei outros pontos do sul da ilha.

Mudei-me depois para outro hostel no norte da cidade, em Canteras, onde fica o porto, o Parque Santa Catalina e também uma boa zona comercial, Calle Mesa y Lopez.

A Praia de Las Canteras tem quase 4 quilómetros de extensão e é considerada uma das melhores praias urbanas do mundo, segura, limpa e um ótimo lugar para passear.
Praia de Las Canteras
A forte influência latino-americana está presente nos pratos tradicionais de Gran Canária em que o peixe é naturalmente muito importante, sobretudo os lagostins, ameijoas, polvo e sardinhas apanhados localmente. A acompanhar a maioria dos pratos estão as Papas Arrugadas, que são batatas assadas com pele ao estilo das batatas a murro.
O Tana, um simpático canário que trabalha com mosaico artístico, deu-me a conhecer o movimento Okupa da Gran Canaria, onde fazia voluntariado e acompanhou-me nalgumas visitas a outros locais de interesse do norte da ilha.
A cidade de Las Palmas é servida por duas estações principais de guaguas: San Telmo e Santa Catalina, a primeira mais a sul, perto de Triana e a segunda mais a norte, próxima do porto e da Playa de las Canteras. Os autocarros amarelos servem a cidade e os azuis outros pontos da ilha. Seguem-se outros locais assim visitados, começando pelo centro e norte.
 Pico da Las Nieves; Roque Nublo
Tejeda 
 Santa Brígida
Caldeira de Bandama
A Caldeira de Bandama é um espaço de grande riqueza natural que se formou há cinco mil milhões de anos junto ao antigo vulcão Pico de Bandama. A caldeira tem 216 metros de profundidade, 574 metros de altura e mil metros de diâmetro. Juntamente ao seu valor geológico, destaca-se a jazida arqueológica Cueva de los Canarios, que os antigos povoadores utilizavam como silo para guardar colheitas e alimentos.
 Gáldar
A Cueva Pintada, descoberta no século XIX, é um magnífico exemplo das representações artísticas dos antigos aborígenes de Gran Canaria. É uma caverna escavada em material vulcânico, cujas paredes estão decoradas com motivos geométricos.
Museu e Parque Arqueológico Cueva Pintada
Há também restos de casas dentro das quais foram encontrados todos os tipos de utensílios. O enclave, na cidade de Gáldar, desempenha um papel essencial na compreensão da fase final das Ilhas Canárias pré-hispânicas, antes da conquista e incorporação da ilha na Coroa de Castela.
 Agaete, Huerto de las Flores 
No município de Agaete fica a pitoresca vila piscatória Puerto de las Nieves. É também o porto de onde partem os ferries cinco vezes por dia para Santa Cruz de Tenerife.
Puerto de Las Nieves
O Paseo de los Poetas é um passeio marítimo bastante agradável, ladeado por restaurantes de peixe, lojas de artesanato e galerias. Na ponta sul da vila fica o Dedo de Dios, um pináculo de basalto com 30m de altura, danificado durante a tempestade tropical Delta em 2005.
O Sul da Gran Canária é a região mais popular, muito procurada pelas suas praias e atrações como Puerto de Mogán, Puerto Rico, Maspalomas, Meloneras, San Agustín ou a famosa Playa del Inglés, uma das mais famosas da Europa e a mais procurada de toda a Espanha. Animada e soalheira, oferece todos os tipos de diversão e atividades desportivas, incluindo jet-ski, vela, windsurf, esqui aquático e muito mais.
Fiz uma visita de apenas um dia ao sul da ilha apanhando um autocarro azul em San Telmo diretamente para Puerto de Mogán.
Puerto de Mogán
Puerto de Mogán era, como outras localidades da ilha, uma antiga vila de pescadores, hoje uma povoação acolhedora cheia de charme e bom gosto. As ruas estreitas repletas de flores, sobretudo buganvílias de diferentes tons, os passeios e as pequenas pontes sobre o canal da vila tornam este local aprazível, ótimo para bons momentos de lazer.
Depois de um belo almoço neste agradável local, apanhei um "glass bottom ferry", um barco de passageiros com fundo de vidro, até à vila de Arguineguín passando, entre outras, pela tranquila e acolhedora Playa de los Amadores e Puerto Rico, um dos melhores portos de Gran Canária para partir em passeios de barco, ao longo da costa.
Playa de los Amadores
Puerto Rico
 Anfi
De Arguineguín continuei em autocarro para Maspalomas, a estância turística mais antiga de Gran Canária, famosa pelos seus 6 km de linha costeira, dunas e águas pouco profundas que formam uma reserva natural.
 Maspalomas
As dunas de Maspalomas, com cerca de 400 hectares, foram, em 1994, classificadas como Parque Nacional. Podem ser atravessadas a pé ou de camelo. O local é também habitat de várias espécies raras de plantas, algumas delas endémicas das Canárias, preparadas para sobreviver neste ambiente árido entre lagartos e coelhos.
Regresso de autocarro a Las Palmas. Voo direto da Binter Canarias para Lisboa.




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